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sexta-feira, 17 de junho de 2016

E agora, PT?


E agora, PT?
Deu mão pra banqueiro
Empreiteira
E FIESP
E agora, você?
Que tem nome de trabalhador
Veste vermelho
O que fazer, Lula ?
Já leu Lênin?
Não adianta negar
Pacto capital-trabalho
Foi pra enganar
Esperávamos mais, PT
Queríamos mudança
Soberania, poder popular
Ver a reforma agrária acontecer
O SUS fortalecer
A educação, pública, gratuita, popular e de qualidade valorizada
(não queremos sua patética
''Pátria Educadora")
Esperávamos que a nação fosse desenvolver
A distribuição de renda, justa, acontecer
E o pleno emprego
Com ganhos reais
Pra quem te elegeu
Esperávamos que a sua democracia
Fosse a nossa democracia
Poder do povo
Não governo pelo povo
Confesse PT
Você foi um bom gerente dos interesses do capital
E, ainda assim, querem te derrubar
Que injustiça, PT
É o que sofremos sempre, PT
Não se lembra?
Quando trabalhávamos
No chão de fábrica
E fazíamos greve, piquete
E passeata
Ficamos presos juntos, mas
Não pelo que te prende agora
Você foi coopitado PT
Capitulou
Ficou azul
Saiu do armário?
Errou o caminho?
Não dá para humanizar o capitalismo, PT
Não dá pra confiar em quem vive de explorar
Você errou, PT
Escolheu com quem caminhar
E, não foi o povo.


Hallisson Nunes Gomes

terça-feira, 26 de maio de 2015

FORMAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO


Qual é o seu problema com meus ÃOS?
Em um país de cão
Com tanta opressão
Qual é o seu problema com meus ÃOS?

Na sociedade da hipocrisia
Do domínio da burguesia
Qual é o seu problema com minha filosofia?
Na barbárie do capitalismo atroz,
correria do tempo veloz...
Qual é o seu problema com minha voz?
No meio de tanta violência
No mundo sem coerência
Qual o seu problema com minha consciência?
No reino do individualismo
Na lógica do mercado e do consumismo
Qual é o seu problema com meu idealismo?
Mediante a tanta exploração, dominação e corrupção
Eu volta a perguntar:
QUAL É O SEU PROBLEMA COM MEUS ÃOS?
Se essa minha formação,
vem do espaço da exclusão
É identidade e inspiração na luta
pela transformação e pela revolução !!!

Daniella Souza Santos Néspoli

quarta-feira, 13 de maio de 2015

“Caetanices”, em bela homenagem

 











O militante do PCB Felipe Oiticica comenta, nesse artigo, a canção "Um comunista", que Caetano Veloso incluiu em seu mais novo álbum sobre o revolucionário Carlos Marighella.


A quem ainda não ouviu, recomendo uma canção incluída no último disco do grande compositor, letrista e intérprete Caetano Veloso, intitulada "Um Comunista", na qual ele presta uma homenagem, tardia mas sincera, a Carlos Marighella. O link para o Youtube é este: http://www.youtube.com/watch?v=84fbY0T1sSY
Como é importante ouvir seguindo a letra, ela está no final deste artigo.
Formalmente, a música é de primeira qualidade. É uma espécie de litania (ladainha), em que a repetição exaustiva do motivo melódico realça extraordinariamente os versos e sua intenção. Tal técnica já foi usada muitas outras vezes. Por exemplo, em “Pra não Dizer que não Falei de Flores”, de Geraldo Vandré (a conhecidíssima “Caminhando e Cantando ...”) e a menos conhecida “A Working Class Hero” (Um herói da Classe Operária), do John Lennon pós Beatles. Caetano, em “Um Comunista”, usa a técnica, mas com muito mais riqueza melódica e harmônica.
É surpreendente – num sentido positivo – que Caetano tenha composto uma canção como esta. Porque ele jamais demonstrou simpatia para com os comunistas. No caso, a homenagem é a um revolucionário que admirava provavelmente a partir de uma posição romântica. Mas, de qualquer maneira, há trechos que emocionam a todos nós, pelo reconhecimento que faz de determinadas características nossas.
Refiro-me aos seguintes trechos da letra:
"... foi aprendendo a ler / olhando o mundo à volta / e prestando atenção / no que não estava à vista / assim nasce um comunista ...";
"... os comunistas guardavam sonhos / os comunistas / os comunistas ..." (trecho repetido várias vezes ao final da gravação);
"... sempre foi perseguido / nas minúcias das pistas / como são os comunistas ..."
"... vida sem utopia / não entendo que exista / assim fala um comunista ..."
Surpreende também que ele cite, como um dos que prenderam Marighella, o Antônio Carlos Magalhães – tendo em vista que sempre que teve oportunidade louvou o falecido senhor feudal da política baiana. Coisa que, por sinal, muitos outros faziam – inclusive o também falecido Jorge Amado.
Mas como nada é perfeito, Caetano comete dois erros crassos de avaliação – salvo se não se tratar de erros de avaliação, e sim de uma espécie de compensação política pela homenagem a Marighella e pelas frases de reconhecimento aos comunistas.
Um deles está contido no trecho "... as nações terror / que o comunismo urdia ...". Ora, que nações seriam essas? Não me consta que as nações em que o socialismo chegou a ser implantado exportassem "terrorismo". Com certeza, por sua perspectiva internacionalista e pelo dever de levá-la à prática, apoiavam de diversas maneiras as lutas de libertação de outros povos. Daí a chamá-las de "nações terror" vai a distância exata entre uma afirmação coerente politicamente e uma simples "caetanice" (no pior sentido).
O outro erro aparece em "... o mulato baiano já não obedecia / às ordens de interesse / que vinham de Moscou ...". Claro que ele aqui se refere à ruptura de Marighella com a posição adotada pelo PCB de luta de massas contra a Ditadura, e sua adesão à luta armada. Entretanto, a ideia de que a estratégia àquela altura proposta pelo PCB fosse mero seguidismo das posições de grande potência da URSS (que de fato existiam) é um equívoco grave.
A posição de recusa da luta armada era claramente majoritária no interior do PCB. Não só pela compreensão de que ela não tinha – por todos os motivos – a menor condição de ser vitoriosa, mas também porque fortaleceria indiretamente o regime, que facilmente isolaria e estigmatizaria os grupos armados. O que de fato ocorreu.
O afastamento de inúmeros bravos camaradas para o caminho da luta armada é questão que não está mais em causa, pois a História nos deu razão. Apenas, o Caetano incorreu nos velhos erros de considerar que não tínhamos vontade própria, de que éramos meros “teleguiados” de Moscou. Com o adendo de que nem em todos os casos a URSS foi contra a luta armada. Há vários exemplos de apoio militante dos soviéticos a lutas de libertação nacional e a levantamentos armados contra governos opressores.
Parece que o genial compositor, letrista e intérprete baiano "deu uma no cravo e outra na ferradura". Em sua nova canção, ele elogia os comunistas numa perspectiva idealista, mas os critica no concreto. Totalmente Caetano, afinal.
A letra da canção:

Um Comunista

(Caetano Veloso)

 

 

Um mulato baiano,
muito alto e mulato,
filho de um italiano
e de uma preta huça,
foi aprendendo a ler
olhando mundo à volta
e prestando atenção
no que não estava a vista;
assim nasce um comunista ...
Um mulato baiano
que morreu em São Paulo,
baleado por homens do poder militar,
nas feições que ganhou em solo americano,
a dita guerra fria,
Roma, França e Bahia ...
Os comunistas guardavam sonhos
Os comunistas! Os comunistas!
O mulato baiano, mini e manual
do guerrilheiro urbano que foi preso por Vargas,
depois por Magalhães,
por fim pelos milicos,
sempre foi perseguido nas minúcias das pistas,
como são os comunistas ...
Não que os seus inimigos
estivessem lutando
contra as nações terror
que o comunismo urdia,
mas por vãos interesses
de poder e dinheiro,
quase sempre por menos,
quase nunca por mais ...
Os comunistas guardavam sonhos
Os comunistas! Os comunistas!

O baiano morreu,
eu estava no exílio,
e mandei um recado:
– eu que tinha morrido
e que ele estava vivo,
mas ninguém entendia,
“vida sem utopia
não entendo que exista”:
assim fala um comunista ...
Porém, a raça humana
segue trágica, sempre,
indecodificável,
tédio, horror, maravilha ...
Ó, mulato baiano,
samba o reverencia,
muito embora não creia
em violência e guerrilha
tédio, horror e maravilha ...
Calçadões encardidos,
multidões apodrecem,
há um abismo entre homens
e homens, o horror ...
quem e como fará
com que a terra se acenda?
E desate seus nós,
discutindo-se Clara,
Iemanjá, Maria, Iara,
Iansã, Catijaçara?
O mulato baiano já não obedecia
às ordens de interesse
que vinham de Moscou,
era luta romântica
era luz e era treva,
feita de maravilha, de tédio e de horror ...
Os comunistas guardavam sonhos
Os comunistas! Os comunistas!
(várias vezes)


http://pcb.org.br/fdr/index.php?option=com_content&view=article&id=350%3Acaetanices-em-bela-homenagem&catid=2%3Aartigos

quinta-feira, 9 de abril de 2015

América Unida: bailarinos de 11 países dançam pela integração



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"Estamos preparando uma viagem por toda América. Querem vir conosco?", pergunta a atriz. "Esta é uma viagem leve de bagagem. Trouxeram sua imaginação?". Com este convite, o público começa uma aventura por América Unida, um espetáculo itinerante que reúne companhias de dança de 11 países latino-americanos em turnê por Argentina, Brasil e Uruguai.
Entre os dias 26 de março e 5 de abril foi realizada a décima edição do projeto, apresentando uma série de novidades. O diretor geral de América Unida, o uruguaio Gustavo Verno, conta que o projeto começou de maneira simples, trazendo a visita de uma delegação da Argentina para o Uruguai em 2004. Mas foi crescendo e hoje chega a reunir artistas de 10 países da América do Sul e do México. "Nesta edição pudemos levar o público a fazer uma viagem imaginária por nosso continente, vendo além de danças, sons, cores e inclusive gastronomia".
Cada país convidado trouxe duas apresentações de danças típicas, com exigência de que uma delas fosse de origem indígena ou afrodescendente." Ao falar de arte não podemos ter um olhar exclusivo ao que se chama de cultura dominante, que se desenvolve e se multiplica nos países", destaca Thiago Amorim, diretor da delegação do Brasil. "Então, incentivar as companhias a trazer propostas que envolvam danças originárias ou afrodescendentes é uma maneira de reconhecer a diversidade da cultura popular nestes países, e estabelecer um movimento ideológico em termos da inclusão do que muitas vezes está invisível para a sociedade de uma maneira geral na América Latina", explica Amorim.
Em pouco mais de uma hora e meia, quem assistiu ao espetáculo pôde conhecer uma mostra de ritmos e danças que incluíam Refalosa Federal e Firmeza (Argentina); Caporales e Tobas (Bolivia); Lundu Marajoara e Samba (Brasil); Cueca e bailes Rapa Nui (Chile); Passillo e Puya (Colombia), Sanjuanito e Amor Seco (Ecuador); La Negra e Luz e Sombra (México); Galopera Yeroky e Kamba Ñemboki (Paraguay); Wayña Valicha e Marinera Norteña (Perú); Candombe e Chimarrita (Uruguay); Merengue e Tambores de San Juan (Venezuela).
Além dos bailes feitos por casais, o auge do espetáculo apresenta duas coreografias coletivas com os 22 bailarinos, que este ano abriram a apresentação com "Latinoamérica", do grupo Calle 12, e fecharam com "El Arte de Volar", composição feita especialmente para o evento.
FORMATO ÚNICO
De acordo com Roxana Gil, diretora da delegação argentina, o caráter não competitivo do evento o faz diferente dos festivais tradicionais de dança na América Latina e no mundo. "Para preparar as coreografias conjuntas em poucos dias é preciso um trabalho em grupo, de cooperação, em que todos têm que estar o mais próximo possível para que essa energia depois se transmita no palco. A ideia é compartilhar e ir aprendendo e nos nutrindo um dos outros", afirma.
Participante pela primeira vez, a bailarina brasileira Íris Neto considera que o formato permite uma energia única por meio da união dos bailarinos, diretores e demais participantes de diversos países. "É uma experiência diferente, que nos favorece como artistas e como seres humanos, pois aprendemos características e virtudes que cada delegação traz por meio de sua dança, música e outras artes".DSC09758
AMPLIANDO HORIZONTES
Além das apresentações, que se dão em espaços que vão desde teatro até bairros populares, as delegações também realizam oficinas de diferentes ritmos para professores de dança e estudantes de colégios das cidades visitadas.
Nos últimos anos, o projeto busca ampliar seu alcance, definindo-se como Encontro de Folklore e Arte Popular. Thiago Amorim destaca que a dança folclórica envolve outras áreas da arte popular como a música ou o artesanato para os vestuários. Neste sentido, entre as novidades da edição 2015 estiveram a incorporação de uma mostra de artesanato de 11 países que acompanhou ao espetáculo, além de reuniões para articulação com artesãos dos países visitados.
Outras atividades novas foram um encontro dos participantes com representantes dos povos originários, contribuindo para debate e reflexão sobre o continente, além do encontro da memória, reunindo familiares dos participantes e outras pessoas.
PRÓXIMOS PASSOS
Seguindo seu projeto de expansão a outros públicos, foi indicado como sede do próximo ano o México, que participou pela primeira vez do encontro juntando-se a outros 10 países sul-americanos. Outro país centro-americano deve ser incorporado na turnê 2016, somando um total de 12 países.
Os cargos de coordenação são rotativos, sendo que a argentina Roxana Gil será a próxima diretora artística do espetáculo, tendo apoio de um roteirista boliviano, um assistente de direção venezuelano e uma preparadora física chilena.
"Em América Unida o que se cuida é para que não haja competência, que sejamos um só, que é o que às vezes falta a esta América, ser uma só e não estar fragmentada. Acho que essa mostra em cena que contou com 22 bailarinos é uma pequena contribuição a esta integração", afirma Verno.
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* Jornalista e Mestre em Estudos Latino-Americanos, viajou a convite do projeto América Unida

http://www.diarioliberdade.org/america-latina/resenhas/55257-am%C3%A9rica-unida-bailarinos-de-11-pa%C3%ADses-dan%C3%A7am-pela-integra%C3%A7%C3%A3o.html#.VSVfAwgPk-U.facebook

terça-feira, 7 de abril de 2015

O Paradoxo da Espera do Ônibus (animação)

Homem espera em vão o ônibus. Em vão? ora, se o ônibus está demorando, então ele está mais perto de chegar. Baseado em várias histórias reais. Desenho desanimado de Christian Caselli. Desenhos de Gabriel Renner e narração de Chico Serra.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

PRETO NO BRANCO


O preto na teoria é bom
O preto na cercania não é bom
O preto no xerox é bom
O preto ao vivo não é bom
O preto idealizado é muito bom
O preto como um fato não é bom
O preto na Casa Branca é bom
O preto nos corredores não é bom
O preto na tese é bom
O preto em tese não é bom
O preto da guitarra é bom
O preto de boné virado não é bom
Preto, preto, preto
O preto que enuncia
A cor que mancha
A mente branca

Daniel Oliveira

quarta-feira, 25 de março de 2015

terça-feira, 17 de março de 2015

Dione Du Rap - A Voz do Protesto



Eu não aumento e eu não invento
Porque é da realidade que eu me sustento
Não tô aqui pra fazer média
Nem muito menos pagar pau pra comédia
Eu não canto pra ninguém rebolar
O som é pra refletir, raciocinar
E ver que o Brasil precisa mudar
Que precisamos nós unir, protestar
Pelo direito de qualquer cidadão
Que quer bom salário, saúde, boa educação
Não se contentar e nem aceitar
Com as migalhas que esse governo podre nos dá

Pode falar mal, pode criticar
Que nem assim nós vamos parar
Sem maquiagem, sem falsidade
Falando sempre a verdade

A bandeira do Brasil é uma piada
Ordem e progresso, irmão, é só fachada
Só sabe disso quem vive aqui
Passando altos venenos
Sem motivos pra sorrir
Sendo humilhado pelo patrão
Um filho da puta
Arrombado
Um cuzão
Que só se preocupa em encher seus cofres
Escravizando e humilhando os pobres
Que não tem direito a lazer
A comer, se vestir, se manter
Vivendo angustiado em seus barraco
Cheio de goteiras
Caindo aos pedaços
Eu não pego carona nas tragédias
Eu não faço rap por inveja
A intenção é protestar
E não se calar
Vendo nosso povo se afundar

segunda-feira, 2 de março de 2015

Falo não Falas

Preto só carne e falo
Falo agora apenas como falo
Um superpreto,
Um supermásculo,
Falo bem dotado
De invisibilidade                                                                                                                
Um punhado de carne
De inferioridade intelectual
Puro animal
Castrado em gostos e gozos
Com a espada em riste
Nunca podendo falhar
Pode-se tudo no ato, menos parar
Os músculos pujantes
Saltam a pele negra
A massa corpórea
Alimenta a fantasia e o mito
Preto robusto, forte e viril
Criado Supermasculino 
O lugar comum, dos corpos pretos
Na firma, no drible, na rima
Falo com ginga,
No samba, no reggae, no funk ou no rap
Pense preto do falo
Ou melhor, não pense, faça
Desfrute de sua gaiola dourada
“Admiramos” seu falo
Não o que falas.

Carlos Alberto
http://poemasaoente.blogspot.com.br/2015/03/falo-nao-falas-1-preto-so-carne-e-falo.html?spref=fb

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Não te rendas, ainda é tempo

Não te rendas, ainda é tempo
De se ter objetivos e começar de novo,
Aceitar tuas sombras,
Enterrar teus medos
Soltar o lastro,
Retomar o vôo.
Não te rendas que a vida é isso,
Continuar a viagem,
Perseguir teus sonhos,
Destravar o tempo,
Correr os escombros
E destapar o céu.
Não te rendas, por favor, não cedas,
Ainda que o frio queime,
Ainda que o medo morda,
Ainda que o sol se esconda,
E o vento se cale,
Ainda existe fogo na tua alma.
Ainda existe vida nos teus sonhos.
Porque a vida é tua e teu também o desejo
Porque o tens querido e porque eu te quero
Porque existe o vinho e o amor, é certo.
Porque não existem feridas que o tempo não cure.
Abrir as portas,
Tirar as trancas,
Abandonar as muralhas que te protegeram,
Viver a vida e aceitar o desafio,
Recuperar o sorriso,
Ensaiar um canto,
Baixar a guarda e estender as mãos
Abrir as asas
E tentar de novo
Celebrar a vida e se apossar dos céus.
Não te rendas, por favor, não cedas,
Ainda que o frio te queime,
Ainda que o medo te morda,
Ainda que o sol ponha e se cale o vento,
Ainda existe fogo na tua alma,
Ainda existe vida nos teus sonhos
Porque cada dia é um novo começo,
Porque esta é a hora e o melhor momento
Porque não estás sozinho, porque eu te amo
(Mario Benedetti)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

UNE hostiliza um dos mais importantes líderes quilombolas do Brasil, na 9ª Bienal

Nelsinho Moralle, um dos mais importantes líderes quilombolas do Brasil foi hostilizado pelos dirigentes da União dos Estudantes Universitários-UNE durante a   9º Bienal da União dos Estudantes Universitários, que aconteceu  de 01 a 06 de fevereiro, nos Arcos da LAPA, Rio de Janeiro.
Tema da Bienal da UNE ? As vozes do Brasil se encontram no Rio.
Com a palavra Nelsinho:  



NOTA DE REPUDIO PARA COM A DIREÇÃO DA UNE E ORGANIZADORES DA 9ª BIENAL CULTURAL DA ENTIDADE QUE ESTA SENDO REALIZADA NO RIO DE JANEIRO
Nelsinho Quilombola Moralle é uma liderança nacional quilombola, nascido no Quilombo Do Carmo São Roque SP, cantor compositor, musico, arranjador, autor de trilhas sonoras para cinema e teatro, ator e diretor de cinema e teatro e hoje estudante de graduação em Direito na UFRJ.
Ao ler o edital da 9ª Bienal de UNE Nelsinho se inscreveu para a mostra de musica onde os organizadores alertavam e lamentavam não poder ofertar cachê aos selecionados visto que a entidade tinha PARCOS recursos para organizar o evento. e a organização pedia a colaboração dos artistas.
Porém quando saiu a programação oficial nomes conhecidos do mercado musical foram contratados para shows e com o direito de exercer nossa cidadania fomos buscar informações e tivemos acesso que os cachês dos artistas variavam entre R$ 80,000,00 o mais barato e R$ 200.000,00 o de maior valor.
Na véspera da apresentação de Nelsinho Moralle questionamos a dinâmica SOCIALISTA dos valores contraditórios entre o NADA ofertado aos selecionados para a mostra e os CACHÊS astronômicos ofertados a ARLINDO CRUZ, PITY, ALCEU VALENÇA, CIDADE NEGRA E CRIOLO e a resposta da UNE foi "OS ARTISTAS CONTRATADOS TEM VALOR DE MERCADO E OS SELECIONADOS TEM APENAS VALOR ARTÍSTICO, portanto não há interesse da entidade pagar cachê. Nelsinho em respeito a seu público não hesitou e comparecer e REALIZAR seu show inclusive com convidados, pagando as despesas com seus próprios recursos. No final de show Nelsinho Moralle agradeceu a presença de seu público e fez uma crítica CONSTRUTIVA e solicitou a direção da UNE que reservasse um percentual de recursos para ofertar a músicos que não tenham o TAL VALOR DE MERCADO a título de incentivo.
Ao sair do palco foi abordado por alguns dos diretores da UNE que disseram que não gostaram de sua fala, dizendo que quem dá as diretrizes da organização é própria direção da UNE e que não comungam com PALPITEIROS. Nelsinho lamentou a posição da UNE, mas deixou claro sua indignação. Ao se dirigir ao camarim do palco principal junto com seu técnico de som Thiago Rosa, onde pretendia dar um abraço em Alceu Valença Nelsinho Moralle foi abordado por seguranças que veio retirá-lo do espaço e quando ele disse que tinha credencial para permanecer no espaço alguns dos diretores da UNE presentes disseram 'TIREM ELES DAQUI NEM QUE SEJA PRECISO USAR DE REFORÇO POLICIAL! Isso mesmo A UNE PEDINDO REFORÇO POLICIAL enfim Nelsinho Moralle e Thiago Rosa saíram, pois não queriam confusão, mas fica o nosso repúdio a esse episódio LAMENTÁVEL PROTAGONIZADO PELA DIREÇÃO ATUAL DA UNE.

Assinam a nota
ASSOCIAÇÃO DOS REMANESCENTES DO QUILOMBO DO CARMO
FRENTE NACIONAL EM DEFESA DOS TERRITÓRIOS QUILOMBOLAS
VIA CAMPESINA FRANCESA
ASSOCIAÇÃO DE MULHERES MUÇULMANAS DO BRASIL
WALESKA VILTAL - REPÓRTERES SEM FRONTEIRAS

Fonte: https://www.facebook.com/criolo.oficial/posts/386391634874454

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Os 43 de Raúl Isidro Burgos




Contra o narcoprefeito foram protestar
José Luis Abarca, a besta de Iguala
Que em março mandou assassinar
Camponeses que queriam o solo adubar
E que com suas mortes fertilizaram
Os jovens de Ayotzinapa


Armados de indignação os 43 normalistas
Foram seu canto entoar
Mas a imperatriz de Beltrán Leyva
María de los Ángeles Pineda Villa
Estava a discursar


Para não ser interrompida
Acionaram a polícia
Que sequestrou os normalistas
E os entregou aos chacais


Amontoados como animais
15 morreram asfixiados
Os demais foram alvejados
E todos incinerados
No lixão de Cocula
Queimados em alta temperatura
Por 14 horas ininterruptas


Os 43 estudantes da Escola Normal Rural
Raúl Isidro Burgos
Localizada a 125 km de Iguala,
Na cidade de Ayotzinapa
Queriam ser professores


Não puderam se formar
Mas a lição que deixaram
Essa ninguém poderá apagar


Daniel Oliveira
Brasil – América Latina
Primavera de 2014

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Nova literatura afro-brasileira reconta parte da História e tem Rio como reduto

Escritor Manto Costa reune em ‘Circo de Pulgas’ contos que se passam em lugares como Sambódromo, Lapa e Pedra do Sal

Maria Luisa Barros
Rio - Pelas mãos de escritores negros, personagens anônimos da cidade, que vivem à margem dos cartões-postais, se tornam os protagonistas de histórias de dores e amores colhidas nas ruas, bares e becos do Rio de Janeiro. Representante do novo movimento literário afro-brasileiro, o jornalista e escritor Manto Costa reuniu no livro ‘Circo de Pulgas’ 12 contos que se passam em cenários emblemáticos como o Sambódromo, a Lapa, a Pedra do Sal, no Morro da Conceição, e a Praça 11, berço do samba carioca.
Considerado um dos bons ficcionistas brasileiros da atualidade, Manto passeia por lugares com forte presença negra e importantes na história da escravidão no Brasil para brindar o leitor com narrativas tocantes sobre figuras como: Velho Aruanda, Zé Ruela, Pente Fino, Zé Menino, Dona Menininha e Perninha, entre tantos outros. Em meio a batucadas, botecos e terreiros, a sensação é de já ter esbarrado com esses personagens por aí, sem, no entanto, se ater às suas vivências. O que Manto faz com maestria.
Manto Costa reúne no livro ‘Circo de Pulgas’ 12 contos que se passam em cenários como o Sambódromo, a Lapa e a Pedra do Sal
Foto:  Maíra Coelho / Agência O Dia
Não à toa, a obra, cujo lançamento será na próxima quinta-feira na Livraria Folha Seca, foi a primeira de um pacote de cinco autores negros, todos com larga bagagem, como Joel Rufino, Conceição Evaristo, Carlos Nobre, Nei Lopes e Cuti, a receber recursos federais para chegar aos leitores.
Na literatura criada por eles, a trajetória da negritude é contada pelos próprios negros. “É o resgate da história brasileira contada pela elite branca. O próprio Zumbi, durante muitos anos era retratado nos livros escolares como um negro fujão. Hoje sabe-se que o Quilombo de Palmares foi a primeiro movimento de independência do Brasil”, diz Manto.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Biografia e CD resgatam a obra do cantor e compositor Taiguara

Taiguara foi vítima da censura imposta pela ditadura militar nos anos de 1960 e 1970 (Arquivo EM)
Taiguara foi vítima da censura imposta pela ditadura militar nos anos de 1960 e 1970
 
O lançamento de um disco inédito e de uma biografia traz à tona vida e obra de um dos artistas mais originais que o Brasil teve e perdeu, aos 51 anos, em fevereiro de 1996. Nascido Taiguara Chalar da Silva, em Montevidéu, no Uruguai, ele se consagrou apenas como Taiguara. A carreira de cantor e compositor é considerada quase um símbolo da resistência à ditadura militar, tamanho o número de composições – 68 – censuradas nas décadas de 1960 e 1970.

Autor dos clássicos 'Hoje', 'Universo do teu corpo', 'Viagem' e 'Que as crianças cantem livres', entre outros, o autor teve sua trajetória pesquisada pela jornalista Janes Rocha, que está lançando 'Os outubros de Taiguara – Um artista contra a ditadura: música, censura e exílio'. Paralelamente, parte do acervo pessoal de fitas cassete do artista foi restaurada e resultou no disco 'Ele vive'. Os dois produtos são da Kuarup Música.

Ricardo Carvalheira, um dos responsáveis pela digitalização do áudio a partir dos registros originais de Taiguara, diz que, em termos de acervo, nunca viu nada igual no país. “As fitas estavam em perfeito estado”, elogia, destacando os cuidados da família com a memória do artista.

Pedro Baldanza, que assina a produção e a direção musical do CD, informa que há mais material guardado. A partir da voz gravada do cantor, ele recriou a base das 11 canções inéditas do repertório: 'Ele vive', 'Guerra pra defender', 'Te quero', 'Moça da noite', 'Alba Esperanza', 'Conflito (sexo escravo)', 'Manhã na Candelária', 'Sou negro', 'Tomou rebeldia', 'O catador de milho' e 'Sou Samora Potiguara'. O disco traz quatro bônus: 'Outubro', 'Modinha', 'Helena, Helena, Helena' e 'Hoje'. Segundo Baldanza, trata-se de “um retrato legal do universo de Taiguara”.

O cantor e compositor fez da ponte entre o romantismo e a política a marca principal de sua obra. “Se em uma canção ele aparece mais romântico, em outra já está mais agressivo, adotando ritmos latinos, por exemplo”, avalia Pedro Baldanza, salientando que a raiz de Taiguara é o tango, representado no CD por 'Conflito (sexo escravo)'. “É o toque gauchesco dele”, repara o produtor, lembrando a origem familiar do cantor uruguaio. Para evitar o “empastelamento” das canções, Baldanza evitou usar muitos arranjos. A ideia é que a música se sobressaia. “Queríamos a reportagem da voz”, explica, citando como exemplo a faixa 'Alba Esperanza'.

Nenhuma das 11 inéditas do CD foi datada pelo compositor, mas, pelo que Pedro Baldanza pesquisou, elas foram gravadas entre 1978 e 1990 pelo próprio Taiguara. “Tudo é uma surpresa muito agradável. Afinal, trata-se de um artista que compunha incessantemente, cuja projeção só não foi maior no mercado e na própria mídia por causa de sua postura política. Taiguara era muito podado, muito censurado”, lamenta. Um disco do cantor foi recolhido das lojas em 1977, pouco antes de ele partir para o segundo exílio, quando trocou o país pela Europa e África, retornando dois anos depois. Entre 1974 e 1976, ele morou em Londres, na Inglaterra.

Ricardo Cristaldi (arranjo, teclado e programação), Pedro Baldanza (baixo), Paulo Ribeiro (violão), José Augusto Cunha (percussão), Felipe Dourado (cavaquinho) e Michele Kerepschi e Pedro Baldanza (vocais) formam a base de acompanhamento de Taiguara (voz e piano).

Depois de experiências com Elis Regina e Luiz Gonzaga, cujas vozes restaurou a partir de fitas em polegadas, Ricardo Carvalheira conta que esse foi o primeiro trabalho de reaproveitamento de voz a partir de fita cassete realizado no Brasil. Anteriormente, o músico produziu um box duplo de Taiguara para o selo Discobertas, de Marcelo Froes.

TAIGUARA – ELE VIVE
• 15 faixas
• Kuarup, R$ 24,90

OS OUTUBROS DE TAIGUARA
•  De Janes Rocha
•  Kuarup, 158 páginas, R$ 46


Além dos festivais

Escrito em dois anos, o livro 'Os outubros de Taiguara' é produto de 34 entrevistas realizadas pela jornalista Janes Rocha, além da intensa pesquisa realizada por ela no Arquivo Nacional, com sede no Rio de Janeiro.

“Diria que a gente consegue avançar além do Taiguara romântico que as pessoas conhecem dos festivais de música”, afirma Janes. “Fomos atrás da experiência dele com a censura, que foi dramática em sua vida e inviabilizou a carreira artística”, acrescenta.
 
Fonte: http://divirta-se.uai.com.br/app/noticia/musica/2014/11/09/noticia_musica,161260/biografia-e-cd-resgatam-a-obra-do-cantor-e-compositor-taiguara.shtml
 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Ad aeternus

Grita e chora!
São os consoles...
Controles
Remotos
Aéreos!
Etéreos!
Estéreos!
Sorri e chora!
Fala e pensa!
Que o Ciber-Cristo...
Artificialmente fabricado...
Virá
Nas ondas do rádio!
Surgirá nas telas das TVs!
Perdoará todos os seus pecados!
Mais profanos!
Ouvirá todos os meus clamores!
Perdoará todas as minhas fraquezas
Canto e choro
Grito e evanesço
De joelhos
Para o Ciber-Cristo...
Artificialmente fabricado...
 
 
Samuel da Costa 


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Centenário de Maria Carolina de Jesus




Negra e moradora da favela do Canindé, Carolina é autora de Quarto de Despejo, onde retratou o cotidiano da comunidade na década de 1950; Promovidas pela Edições Toró, em outubro, ciclo de atividades inclui oficinas, roda de sambas, debates, filmes e intervenções cênicas
08/10/2014
Por Simone Freire,
Fonte: http://www.brasildefato.com.br/node/30088

"Todos têm um ideal. O meu é gostar de ler". Nestas palavras, Carolina Maria de Jesus (1914-1977) resume sua trajetória e propósito de vida. Semi-analfabeta, negra e moradora da favela do Canindé, Zona Norte de São Paulo (SP), Carolina tornou-se escritora reconhecida dentro e fora do Brasil com o livro "Quarto de Despejo - Diário de uma Favelada", publicado em 1960. Com uma literatura viva e pulsante, soube pautar as complexidades e contradições da sua realidade.
Em 2014, a escritora completaria cem anos de idade. Uma série de atividades e homenagens foi realizada pelo País e, em complemento a elas, neste mês de outubro, mais um ciclo busca celebrar a vida e obra da escritora. 
Promovidas pela Edições Toró, atividades como oficinas, roda de sambas, mesas-redondas, debates, filmes, intervenções cênicas e leituras têm sido realizadas em diversos pontos de São Paulo (SP).
Segundo o educador e escritor Allan da Rosa, um dos organizadores do ciclo, este tipo de atividade tem um propósito muito especial, uma vez que enormes referências da literatura “são ainda, no geral, mais comentadas do que lidas”. Ele lembrou que outra série de atividades deve acontecer em novembro para celebrar o centenário de Abdias do Nascimento (1914-2011), conhecido pela luta em defesa da igualdade racial.
O papel do mercado editorial também foi lembrado por ele. “No ano de seus centenários, o sistema editorial que domina o mercado ainda permanece muito distante e pouquíssimo interessado por seus trabalhos, estilos, histórias e questões, assim como ocorre com várias outras canetas negras, de ontem e de hoje”, comenta, lembrando que “recentemente, a atual gestão da Biblioteca Mário de Andrade vem buscando trançar e fertilizar caminhos com os movimentos literários das beiradas de São Paulo”.

Vida e Obra
Apesar de pouco estudo e a incessante e cansativa rotina de catadora, Carolina Maria de Jesus acumulou mais de 20 cadernos com testemunhos sobre o cotidiano da favela. Deles, após edição do jornalista Aldálio Dantas (que a descobriu ao visitar a favela para uma reportagem), originou-se "Quarto de Despejo - Diário de uma Favelada", publicado em 1960. 
O livro rompeu com qualquer rotina das edições até então publicadas no País. Em poucos meses, três edições foram lançadas, chegando alcançar a margem de 100 mil livros vendidos, além de ser traduzido para 13 línguas, como romeno, russo, japonês, inglês, sueco e alemão.
Carolina publicou ainda “Casa de alvenaria”, “Journal de Bitita“ (póstumo, 1982, França) e “Meu estranho diário” (também póstumo, 1996, organizado por José Carlos Sebe Bom Meihy e Robert M. Levine)
Literatura viva
Embora o cenário descrito por ela na década de 1960 não seja o mesmo de hoje, Quarto de Despejo é contundentemente atual, uma vez que a luta por melhores condições de vida e dignidade ainda permanecem entre os "trastes velhos" como, criticamente, caracterizava os favelados. “Eu denomino que a favela é o quarto de despejo de uma cidade. Nós, os pobres, somos os trastes velhos”, escreveu.
“O lugar, o olhar, a fala e a escrita da Carolina são atuais e cortantes. Carolina não só aborda temas, ela os vivenciou intensamente e ainda assim escreveu dolorosamente, mas sem perder a poesia. Se estivesse viva, Carolina não pouparia ninguém graúdo e poderoso, iriam todos parar no seu diário com as piores referências porque ainda latejam a luta por moradia e creches, contra o racismo institucional, a violência da discriminação religiosa, a repressão policial aos pobres e o genocídio sistemático da população negra”, descreve Allan da Rosa.
Legado
Sair da favela e arriscar-se em um cenário tão elitizado, como era o literário na época, não foi uma tarefa fácil para a catadora. Ora endeusada, ora considerada porta voz dos pobres, e tantas outras vezes tratada apenas como “uma favelada”, sua escrita, por muito tempo, se não ainda hoje, foi questionada e desconsiderada por vários críticos.
No entanto, a realidade mostrou que a paixão de Carolina pela leitura é exemplo para escritores e escritoras, sejam da periferia ou não. Sua vida e obra foram temas de diversos trabalhos acadêmicos, além de torna-se um legado para gerações atuais.
“Ela era uma mulher sonhadora, a frente do seu tempo. Não concordo quando vestem em Carolina a militância que ela não tinha. Carolina foi sim, porta voz de diversos descasos e escrevia maravilhosamente bem sobre tudo que assolava. Entendia que a questão da cor também interferia no fato de ser moradora de favela. Mas, um legado importante também é que ela falava da pobreza sem louvá-la, sem hipocrisia, e dizia que queria moradia melhor, queria se vestir melhor, comer melhor. Eu enxergo Carolina como uma mulher negra, mãe, não conformada em ser mais uma. Foi uma mulher que deixou um legado a todas nós mulheres negras periféricas: a escrita, o poder, o ser. Ela foi e é, sem sombra de dúvidas, inspiração pra rompimentos. Eu escrevo hoje e foi sim legado de Carolina”, conta a escritora Raquel Almeida.

Confira a programação das atividades em São Paulo:
>>> Quarta-feira, 08 de outubro
19h às 22h – “NA ALVENARIA SAMBANDO A BITITA: CAROLINA ALÉM DE ‘QUARTO DE DESPEJO”
Exibição do filme: “O papel e o mar”, de Luiz Antônio Pilar (Brasil, 2008)
Mesa redonda:
“Sobre ‘Casa de Alvenaria’”, com Fernanda Miranda (mestre em Letras, pesquisadora da obra de Carolina de Jesus)
“Carolina, personagem teatral”, com Lucélia Sérgio (Atriz e diretora na Cia Os Crespos)
“Sobre “Diário de Bitita e as músicas de Carolina” Com Flavia Rios (Socióloga, pesquisadora da vida e obra de Carolina de Jesus)
Mediação: Ruivo Lopes
Intervenções de Janette Santiago
Onde? Na Biblioteca Mario de Andrade – Rua Coronel Xavier de Toledo, centro de São Paulo

>>> Quarta-feira, 22 de outubro
19h às 22h – “CAROLINA DE JESUS, LETRA QUE ARRANHA, ESPETA E FERTILIZA”
Mesa Redonda:
“Textos de sangue – o estilo e o abalo”, com Mário Augusto (Professor da UNICAMP, sociólogo)
“Carolina, suas armas, horizontes e rastros”, com Jarid Arraes (cordelista, pesquisadora e jornalista)
“Carolina, sujeira no circuito editorial brasileiro?”, com Marciano Ventura (escritor e editor, criador do selo “Ciclo Contínuo”)
Mediação: Allan da Rosa
Onde? Na Biblioteca Mario de Andrade – Rua Coronel Xavier de Toledo, centro de São Paulo

>>> Sábado, 25 de outubro
16h às 20h –  “CAROLINA DE JESUS, A ARQUITETURA DA SOBREVIVÊNCIA E DO REVIDE”
Intervenção cênica de Débora Garcia.
Projeção do filme “Vidas de Carolina”, Jessica Queiroz (Brasil, 2013)
Mesa redonda:
“ Gritos e sussurros negros de Carolina”, com Débora Garcia (Atriz, poeta, presidente da Associação Literatura no Brasil)
“Ironia e drama em Quarto de Despejo”, com Fernanda Sousa (Professora e pesquisadora da obra de Carolina de Jesus)
“Dúvidas e frestas na letra de Carolina”, com Raffaella Fernandez (Pesquisadora da obra de Carolina de Jesus)
Mediação: Allan da Rosa
Onde? Comunidade Mauá – Rua Mauá, nº 342, Luz, ao lado da estação Luz de trêm/metrô

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Eu grito!

Eu grito por que ao longo de toda história,eu fui silenciada,
Porque mesmo quando quebro o silencio sou desacreditada,
Eu grito por que na fogueira minhas ancestrais foram queimadas ,
E por que, todos os dias, mulheres são agredidas pelos que dizem amá-las,
E eu grito por todas nós, oprimidas,violentadas e subjugadas.
Eu grito por que minha voz não é ouvida e sempre me quiseram calada,
Grito por que há o feminicídio,
Mulheres todos os dias,todas as horas,são mortas e o machismo as mata.
Eu grito por todas que morreram sem voz,com medo e acuadas,
Pela Jandira,pela Elisângela e pela Cláudia,
Vitimas da violência institucionalizada,
Punidas com pena de morte,
Vítimas de uma sociedade hipócrita e um estado que as criminaliza e mata,
Grito também por suas crianças, deixadas órfãs e traumatizadas.
Eu grito por que quando trago um vida ao mundo roubam meu protagonismo,
Sim, mesmo quando vou parir, eu sou violentada,
E grito por que em mim a vida pulsa e é meu corpo que pare,
Eu grito por que querem decidir sobre minha vida,sobre meu corpo,
E grito por que o sangue corre quente em minhas veias.
E eu decidi lutar e não ficar calada!
Eu grito por que escolhi não ter filhos e isso me faz ser julgada,
Por que eu escolhi ser solteira e me querem casada,
Pela minha sexualidade que querem controlada,
Eu grito pois por todo e qualquer motivo eu sou desqualificada,
E grito porque eu também sou mãe,
Grito por nossos filhos,por que as crianças também não têm voz
Crianças também não são respeitadas.
Eu grito por que eu trabalho por duas,três,quatro jornadas.
Por que trabalho mais e recebo menos.
Por que sou excluída dos espaços de poder,
E na luta de classes eu sou a mais explorada
Eu grito por que eu sou forte e me fizeram acreditar ser fraca.
Eu grito!
Eu grito por que eu sou humana, sou mulher
Sou gente e devo ser ouvida e respeitada.
Eu grito!
E vou gritar até que não seja mais preciso.
Até que a voz de todas as mulheres sejam escutadas.
Até que ninguém precise gritar mais nada. 


Renata Regina Guarani Kaiowá


terça-feira, 23 de setembro de 2014

NOTA DE PESAR DO PCB SOBRE O FALECIMENTO DE ABELARDO DA HORA

O Partido Comunista Brasileiro (PCB) em Pernambuco, vem à público expressar o seu pesar sobre o falecimento do artista plástico e militante comunista Abelardo da Hora, figura ímpar para a cultura Brasileira e mundial, prestando total solidariedade aos seus parentes e amigos. Abelardo da Hora foi militante e dirigente do PCB entre os anos 40 e 60, ao lado de grandes nomes como Gregório Bezerra, Cristiano Cordeiro, David Capistrano, entre outros que dedicaram as suas vidas as lutas populares e pela construção de uma sociedade justa. Pernambuco hoje está de luto por essa perda inestimável. 

Ele foi um dos mais destacados exemplo de ser humano, que mesmo nos momentos mais obscuros, sempre acreditou que os trabalhadores poderiam se libertar do julgo do Capital, proporcionando a todas as pessoas a libertação e alegria através da sua arte. Ele participou de uma das mais destacadas experiências de política cultural do País, sendo fundador do Movimento de Cultura Popular- MCP no Recife nos anos 60, onde construiu uma das mais belas obras de pintura e escultura sobre os “Meninos de Recife”. Sua obra estará presente na consciência coletiva do povo brasileiro. Abelardo da Hora! Presente! Hoje, amanhã e sempre! Direção Estadual do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em Pernambuco. 

http://vozativapcb.blogspot.com.br/

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Poema inspirado na campanha de Mauro Iasi e Sofia Manzano à presidência da república - Mão do Nós

São três pontas de mesma intensidade
Furam o mesmo pano e racham o mesmo chão
São três coisas muito parecidas e diferentes em vírgulas
Dizem o mesmo abecedário, sem mudar o cenário
Um falso vermelho, verde e azul.
Não preciso de três ou poucas frações
[Quero milhões à frente e a frente muitos milhões]
Serão plurais para todos e numa única face nossa voz
O povo em seu rosto estruturado e sorridente
Uma nova cor, a esperança desenhada pela mão do nós.


Igor Melo de Sousa
 
http://igormelofisi.blogspot.com.br/2014/09/mao-do-nos.html

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Manifesto por uma Frente Artística Anti-Capitalista

Todo ser humano tem potencial para produzir arte, todos somos potenciais artistas. Se uma criança recebe areia, ela esculpe um castelo. Se recebe tinta, ela pinta um dinossauro. Se estimulada com música, ela inventa sua própria dança. Mas adultos, a maioria de nós ou não produz mais arte ou não a produz como gostaria de fazer. Por que isso acontece?
http://comunaquepariu.blogspot.com.br/2014/09/manifesto-por-uma-frente-artistica-anti.html


Basta pensarmos no nosso dia a dia pra darmos de cara com dois motivos. De um lado, alguém que trabalha oito ou mais horas por dia, gastando umas boas horinhas a mais pra ir e voltar de seu local de trabalho, infelizmente não tem muito tempo para dedicar a outras atividades, ainda que goste muito delas. Nessa situação, apreciar e conhecer ou mesmo criar arte aparece como algo “supérfluo”, não passando de um “hobby” pra ser exercitado entre uma jornada e outra, e, se der, em algum espacinho de tempo no fim de semana... Além disso, um monte de gente simplesmente não frequenta teatros, shows, exposições ou certos pagodes e estádios porque se tornam pesados demais no orçamento (na sociedade em que vivemos tudo, até as tradições mais populares, vai virando mercadoria).

O outro motivo está ligado ao que chamamos de indústria cultural. E aí tratamos da situação dos trabalhadores da cultura (como os “artistas” ou os “produtores culturais”). Todo o fruto de sua criatividade acaba servindo pra alimentar esta indústria; e nisso há uma perda de sentido sobre o que fazem, pois cada vez mais se tornam meros executores levados a produzir algo que não é determinado por sua própria vontade, mas que se encaixe em um padrão vendável. Uma canção precisa ser “hit”, para vender; um quadro precisa ter o estilo que abra as portas pra galerias importantes, para vender; uma peça de teatro deve repetir os "lugares comuns" e efeitos fáceis, para vender. A cultura é reduzida a um negócio, cumprindo a função social de fornecimento de “matéria-prima criativa” para certas indústrias nas quais os bens produzidos têm valor ou não de acordo com as tais “leis do mercado”. Até mesmo o sucesso de uma obra artística tende a ser medido pelo lucro que ela proporcionou! Isso está presente tanto nas listas que tratam por melhores filme do ano aqueles com maior bilheteria, quanto na indústria do jabá radiofônico, na qual as músicas primeiro são pagas para serem as mais tocadas nas rádios e depois se tornam "magicamente" presentes no assovio de qualquer ouvinte. Quantas vezes já não vimos repetidas essas velhas práticas?

Tudo isso se dá porque vivemos em uma sociedade em que nós trabalhadores não controlamos os meios necessários para garantir as nossas próprias vidas. Nas sociedades capitalistas, cada indivíduo depende de comprar no “mercado” todas as suas necessidades: sua comida, suas roupas, sua moradia, seu deslocamento, só podendo satisfazê-las se puder pagar. A quantidade de fome que você tem simplesmente não é levada em conta pelo dono do supermercado, assim como a enorme "fome cultural” que você tem não comove nem um pouco o proprietário da casa de shows – ou mesmo que o comova, isso não o levará a distribuir bilhetes! Isso gera certas situações que seriam inaceitáveis se não estivéssemos tão acostumados com elas, e os exemplos são incontáveis – basta refletir meio segundo na porta de um supermercado qualquer, e verificar, na calçada, à porta de sua entrada, quantas vezes não estavam ali pessoas em situação de rua pedindo ajuda.

No mercado de arte, vão se formando campos autorizados a dizer o que é e o que não é bom ou válido. A arte, para ser reconhecida como arte, precisa do consentimento dos produtores, dos curadores, dos comissários de exposição, dos conservadores de arte, das gravadoras, das estações de rádio, dos grandes chefs de cozinha, das editoras etc. Neste contexto, a arte dos pobres, dos negros e dos indígenas é diminuída pelos que detêm “o poder da palavra” ao status inferior de “artesanato”. Essa oposição entre artesanato e arte expressa todo o desprezo dos mandarins da cultura mercantilizada pelo trabalho manual e pela cultura popular. A arte parece estar ao acesso de todos, mas o que está ao alcance é somente o seu consumo para quem puder pagar! E quanto à criação, essa fica só pros artistas “eleitos” pelo mercado em um de seus diversos nichos (inclusive o mercado acadêmico, considerando que a universidade se torna cada vez mais mercantilizada), deixando à margem inúmeros músicos, compositores, arranjadores, poetas, pintores, atores, diretores, num autêntico desperdício de capacidades criativas-sociais que este modelo simplesmente é incapaz de aproveitar.

É no contexto da competição entre os próprios artistas, uns contra os outros, por um lugar no rol daqueles “eleitos”, que surge a imagem falsa do “gênio”. Este seria o ser “melhor do que os outros”, que tem “mais talento” individual e por isso “merece aparecer”, sendo celebrado do mesmo modo na dança, na música, na culinária ou no futebol. Ok, entendido, mas... o que seria de um bom ator se ele atuasse sempre sozinho?! Não é questão de negar as aptidões individuais. Sim, elas existem, mas são muito mal aproveitadas numa sociedade em que todos os criadores (o que é exatamente o mesmo que dizer todos os trabalhadores, quer manuais quer intelectuais) são postos em eterna competição uns contra os outros por um lugar no mercado. Nesta sociedade, o egocentrismo radical vai ocupando o lugar da camaradagem, a pretensa autoria individual ocupa o lugar da criação coletiva, e com isso a imensa maioria da população, inclusive dos artistas, perde – enquanto alguns poucos grandes “produtores”, na verdade proprietários ou acionistas de grandes empresas culturais, extraem seus lucros milionários e mantêm o tal do mercado de arte azeitado e operando.

As jornadas de junho de 2013 trouxeram à tona certa insatisfação social, com milhares de pessoas indo às ruas reivindicar o atendimento de suas necessidades. Este novo contexto não deixou de influenciar o mundo da cultura e da arte. O carnaval de 2014 foi marcado por blocos, marchinhas e sambas politizados e de protesto, as manifestações se tornaram tema de diversos filmes documentários, peças de teatro ou poesias e as fotografias dos manifestantes e da repressão policial rodaram o mundo. Essa tomada de consciência pode ser um bom começo de um questionamento geral, mas, para impedir que essa saudável energia questionadora se disperse, vimos a necessidade de começar pra já a construir uma alternativa. Uma alternativa ao poder político que nos apresenta um jogo de cartas marcadas e nos manda sair das ruas (com a “ajuda” da polícia) e votar em algum dos candidatos dos grandes partidos que representam sempre os mesmos interesses. Uma alternativa aos governos que nos pedem para aguardar passivamente que eles apresentem a “solução” para nossos problemas. Uma alternativa, enfim, a toda uma forma de organização social capitalista que exige que os trabalhadores empreguem o melhor de suas energias vitais na produção de mercadorias para depois descansar consumindo passivamente sem protestar. Isso quando lhes é dado descansar...

Uma primeira alternativa seria lutar por uma mudança da política cultural do Estado que rompesse com os seus atuais marcos mercadológicos, cujos principais exemplos são a Lei Rouanet (dinheiro público de renúncia fiscal que é gerenciado por empresas privadas) e o estímulo ao empreendedorismo dos trabalhadores da arte (estimulando-os a fazer projetos para captar recursos no mercado), e investisse em um amplo aparato público e gratuito de formação, produção e distribuição de arte. Mas pensamos que é necessário ir além e criar organizações culturais e artísticas próprias dos trabalhadores. Já existem diversas e o Bloco Comuna Que Pariu! é um bom exemplo de um grupo que produz uma arte anticapitalista por fora da indústria cultural. Mas o trabalho de grupos isolados, por melhor que seja, tende a não ter muita repercussão em uma sociedade na qual a circulação de informações e da arte é dominada pelos grandes monopólios empresariais.

Por isso, propomos a formação de uma frente anticapitalista que afirme que a arte não deve ser mercadoria, mas expressar necessidades coletivas e apontar para a necessidade de criação de relações sociais que garantam a vida. Como primeiro passo nesta direção estamos formando um Comitê de Cultura pelo Poder Popular para discutir e produzir arte e cultura por fora da lógica da mercadoria, buscando construir uma alternativa cultural própria dos trabalhadores que seja capaz de enfrentar a indústria cultural e caminhar no sentido da socialização da produção cultural e artística. Venha organizar conosco este Comitê!

Proposta inicial de eixos programáticos para a atuação do Comitê:

1º Participar das lutas gerais da classe trabalhadora, inclusive colocando nossa arte ao seu serviço;

2º Garantir e avançar os direitos dos trabalhadores da arte e da cultura;

3º Desmercantilizar a produção e o acesso à arte e a cultura;

4º Construir uma alternativa cultural dos trabalhadores que seja capaz de enfrentar a indústria cultural (o poder popular na cultura);

5º Articular uma frente artística anticapitalista que aponte para a necessidade de criação de relações sociais que garantam a vida;

6º Apoiar e aprender com outras experiências culturais e artísticas da classe trabalhadora, nacionais e internacionais;

7º Venha sugerir e debater conosco!